Comer depressa engorda

08-07-2012 08:16

por: Isabel Januário Fragoso

 

Estava ontem na recepção dum hotel do Estoril, à espera dum colega inglês. Sabendo ele do meu interesse por temas relacionados com nutrição mostrou-me um jornal em inglês que estava na recepção que dizia – Portugal’s National Newspaper in English –  o  artigo – Portuguese researcher awarded for “eat-slow” research. Começa depois o artigo:

 

Uma investigadora portuguesa ganhou um prémio internacional por ter provado que a velocidade com que os alimentos são ingeridos tem uma influência directa no peso corporal, e que se comermos devagar, este facto ajuda a perder peso.

Este estudo demorou um ano e foi realizado em 500 jovens obesos, acompanhados pelo Hospital Pediátrico de Bristol no Reino Unido e teve como objectivo o estudo da relação entre níveis hormonais e hábitos alimentares.

 

O trabalho da investigadora portuguesa Júlia Galhardo mostrou que há duas hormonas do sistema digestivo e circulatório: a grelina, que é segregada pelo estômago, e que induz a fome, e o péptido YY, que é libertado pelas células intestinais em resposta à alimentação, e que promove a sensação de saciedade.

Os 500 jovens foram dividos em dois grupos. Aos participantes de um dos grupos, o grupo estudado, foi dada uma balança electrónica que lhes permitia pesar os seus pratos ao almoço e jantar. A velocidade de ingestão deste mesmo grupo foi imposta externamente obrigando os sujeitos a ingerir entre 300 a 350 gramas de alimentos cada. Sempre que os participantes comiam a um ritmo superior ao pré-definido eram alertados para reduzirem a velocidade de ingestão.

O segundo grupo, grupo de controlo, foi apoiado com aconselhamento dietético e de actividade física.

 

"Ao fim de 12 meses fizemos a avaliação dos grupos 'O Índice de Massa Corporal (IMC) do grupo que utilizou balanças mostrou uma redução deste parâmetro significativamente superior do que o grupo de controlo'. Isto deixou-nos muito satisfeitos pois estamos a falar duma forma barata e acessível para qualquer pessoa perder peso" disse Júlia Galhardo.

 

A investigadora referiu que é do senso comum dizer que comer mais devagar aumenta a saciedade mais depressa, evitando o aumento de peso, mas até agora ninguém tinha demonstrado as consequências hormonais resultantes deste comportamento 12-15 minutos.

 

"Há uma forma de comunicação entre o sistema digestivo e o cérebro, que permite ao sistema dizer: 'tenho fome, tragam-me comida'. E depois de comer dizer: 'já chega, estou cheio, não quero comer mais", explicou a investigadora.

O estudo mostrou que, quando as crianças e adolescentes comiam devagar, as hormonas reguladoras da fome e da sensação de saciedade, alteradas como resultado dos seus maus hábitos alimentares, voltavam outra vez a exercer o seu papel de controlo passando novamente a regular a comunicação entre o sistema digestivo e o cérebro.

Acrescentou ainda que uma refeição não deve demorar mais de meia hora, e que a mesma deve integrar uma sopa de legumes e um prato principal.

Júlia Galhardo, a quem este ano foi atribuido o prémio de Henning Andersen da European Socieatric for Paediatric Endocrinology, realça que a obesidade é um assunto de saúde pública e espera que os resultados do seu trabalho sejam comunicados aos jovens através dos centros de saúde

 

Fonte:https://exercicioesaude.blogs.sapo.pt